Semana Mundial do Aleitamento Materno | Dra. Cristiana Meirelles


“Toda mãe, mesmo que de primeira viagem, sabe da importância do aleitamento materno para o bebê e para a mulher. Esse é um assunto bastante discutido entre pediatra e família e nas mídias sociais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida e continuado até os 2 anos ou mais. Dentre outras, essas são algumas das inúmeras vantagens da amamentação:

  • O leite materno é um alimento completo para o bebê;
  • Amamentar previne depressão pós-parto e alguns tipos de câncer na mulher e ainda ajuda na perda de peso da mamãe;
  • Intensifica o apego entre mãe e filho e favorece a comunicação por meio de sorrisos, olhares e carícias;
  • Se o aleitamento for realmente exclusivo até os 6 meses de vida, funciona como um método contraceptivo com uma eficácia de até 98%, semelhante à pílula anticoncepcional;
  • É prático e econômico, já que o leite está sempre à mão, pronto e na temperatura ideal;
  • E ainda protege o bebê contra infecções, alergias, diabetes, desnutrição e obesidade.

No entanto, sempre que o tema é levantado, surge a velha dúvida das mamães: “Será que tenho leite suficiente? O que influencia a produção do meu leite?”.

Uma vez a amamentação iniciada com sucesso, é a demanda do bebê que controlará a produção de leite. Será que é sempre assim? Nos últimos anos, a ciência tem demonstrado através de estudos experimentais, em animais de produção e em mulheres amamentando, que são muitas as variáveis maternas que influenciam na produção de leite. Essas variáveis vão desde alterações anatômicas das mamas, fatores sociais, psicológicos e comportamentais, até fatores hormonais, ambientais e genéticos. Realmente, já foram identificadas muitas variantes genéticas que impactam na produção de leite. Dentre elas, estão mutações nos genes da prolactina, que é o principal hormônio que regula a produção de leite.

A história de que “só não produz leite quem não quer”, portanto, não é real. Estima-se que de 10 a 15% das mulheres de fato não conseguem produzir leite suficiente para seu bebê. Por outro lado, o percentual de mulheres que acredita não estar produzindo leite suficiente varia de 40 a 90%.

Para essas mamães que somente acreditam não estar produzindo leite suficiente, há alguns fatores que precisamos avaliar.

  • Em 1º lugar, a pega do bebê pode estar incorreta no momento da sucção do leite materno. Na pega adequada, o bebê está com a boca bem aberta, com o lábio inferior voltado para fora, com o queixo tocando ou quase tocando a mama e abocanhando a aréola de modo que ela esteja com a parte de cima mais visível que a de baixo.
  • Em 2º lugar, o posicionamento do bebê ou a posição da mãe podem estar desconfortáveis.
  • Em 3º lugar, o ambiente pode estar muito barulhento, com interrupções a todo momento.
  • Outro fator importante: a mãe pode estar cansada, ansiosa ou estressada. Descansar enquanto o filho dorme, ingerir bastante líquido, ter uma alimentação saudável e fazer relaxamento podem ajudar neste caso.
  • Outro erro comum é estabelecer duração e horário para as mamadas. A amamentação deve seguir o ritmo de fome de seu bebê, ou seja, o regime de livre demanda. Quanto maior o número de mamadas, maior liberação do hormônio prolactina e maior será o volume de leite produzido.
  • Fumar e ingerir álcool podem inibir o reflexo da descida do leite.
  • Oferecer chupetas e bicos artificiais pode confundir a sucção do bebê, atrapalhando a produção do leite.
  • Problemas nas mamas, como empedramento do leite e rachaduras nos mamilos, dificultam bastante a amamentação. Preparar as mamas e tratar precocemente essas alterações evitam a interrupção desnecessária do aleitamento;
  • A mama muito cheia ou tensa dificulta a pega. Logo, deve-se extrair manualmente um pouco de leite antes de cada mamada para que a aréola fique mais macia e o bebê consiga abocanhar o peito mais facilmente;
  • Por último e não menos importante, o bebê pode apresentar refluxo gastroesofágico ou cólica, devendo ser avaliado pelo pediatra que irá orientar medidas de controle dessas alterações.

Portanto, o que podemos perceber, é que, para grande parte das mamães, informação e apoio podem ser a chave para manter a amamentação. Frente a qualquer dificuldade, a mulher deve procurar ajuda especializada de seu ginecologista/obstetra e de seu pediatra. Rede de apoio de amigos e familiares também é fundamental!”

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