Sarampo: Vacina de Reforço e Bloqueio Vacinal


Dra. Cris Explica
Dra. Cris Explica. Sarampo: Vacina de Reforço e Bloqueio Vacinal

“O Sarampo é uma doença viral prevenível pela vacina, que já está presente no calendário de vacinação do SUS, no Brasil, há vários anos. Chegamos a receber certificado de erradicação da doença, no país, pela Organização Pan Americana de Saúde e Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em 2016. No entanto, o vírus está de volta! Até o início de junho, o Ministério da Saúde confirmou 123 casos, sendo que, destes, 31 foram reportados. A reintrodução do vírus no país é consequência da grande migração de venezuelanos. Mas, a responsabilidade não é deles, se houvesse uma cobertura vacinal acima de 95% isso não teria ocorrido. Ou seja, muitas pessoas não estão se vacinando.

Na maioria dos casos, o sarampo é de baixa gravidade, mas pode levar a complicações que oferecem risco de vida, como pneumonia e meningite, e deixar sequelas neurológicas graves. Além disso, é uma doença altamente contagiosa e não há tratamento específico contra ela, ou seja, não existe um remédio que combata diretamente o vírus. Por isso é tão importante a prevenção através da vacina, que é extremamente eficaz.

Com o aumento do número de casos da doença, muitas dúvidas são levantadas. Uma delas é a diferença entre a “vacina de reforço” e a “vacina de bloqueio”.

A “vacina de reforço” é indicada para crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados ou sem comprovação das duas doses aplicadas – ela potencializa a dose anteriormente recebida. Já, a “vacina de bloqueio” é comum quando há surtos e uma pessoa da comunidade contrai o vírus, todos no seu entorno devem se vacinar para impedir que a doença se espalhe na região. Chamamos também “vacina de reforço” às aplicadas em crianças entre 1 ano e 3 meses e dois anos – faz parte do calendário de vacinação.


Entenda mais sobre o sarampo, as vacinas e suas doses:

Para ser considerado protegido, a pessoa deve ter tomado duas doses da vacina na vida, aplicadas a partir de 1 ano de idade.

Para as crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomendam como rotina duas doses da vacina tríplice viral (SCR – sarampo, caxumba e rubéola): uma aos 12 meses e a segunda (dose de reforço) quando a criança tiver entre 1 ano e 3 meses e 2 anos de idade, junto com a vacina varicela (catapora), podendo ser usadas vacinas separadas (SCR e Varicela) ou a combinada (tetraviral: SCR-V).

Crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados ou sem comprovação de doses aplicadas também devem receber duas doses da vacina. Nos postos de saúde, crianças e adultos com até 29 anos, podem se vacinar gratuitamente com duas doses. Já, os indivíduos entre 30 e 49 anos só recebem uma dose da vacina. Quem já teve sarampo é considerado imunizado contra a doença, mas é preciso ter certeza do diagnóstico. Na dúvida, recomenda-se a vacinação.

Muitas pessoas, principalmente adolescentes e adultos, perderam o cartão de vacinas e não sabem se receberam as duas doses que protegem contra o sarampo. E é justamente essa faixa etária (em torno de 20 anos) que está sendo mais acometida, possivelmente porque tomaram apenas uma dose da vacina após 1 ano de idade, já que o esquema vacinal, na época em que eram pequenos, era diferente do atual.

Por isso, vale olhar a carteira e quem não tiver duas doses deve fazer uma dose de reforço. Está é a chamada “vacina de reforço”, que potencializa uma dose anteriormente recebida.

Devemos salientar que a vacina SCR ou SCRV NÃO SÃO RECOMENDADAS para crianças com menos de 6 meses, gestantes e pessoas imunocomprometidas. As mulheres de idade fértil que tomarem a vacina devem aguardar pelo menos 1 mês para engravidar.

Em épocas de surtos, quando se identifica um caso de sarampo em uma comunidade, a Vigilância Epidemológica orienta para que todos do entorno da pessoa contaminada recebam a “vacina de bloqueio” (tríplice viral – SCR) dentro de 72 horas após o contato com o doente. Essa dose deve ser aplicada nas pessoas que moram na mesma casa de quem está com sarampo, crianças da mesma creche/escola e adultos do mesmo ambiente de trabalho. Tudo isso para tentar “bloquear” o vírus, aumentando a imunidade de todos que possam ter tido contato com a pessoa doente, impedindo que novos casos apareçam e, consequentemente, impedindo que o vírus de espalhe ainda mais. Por isso, é essencial seguir corretamente as orientações do pessoal da Vigilância Epidemológica.

No caso do sarampo, a vacina é a nossa maior aliada contra a doença!”

Previous Palavras de Luiz Costa, nosso CTO!
Next 1º de julho | Dia da Vacina BCG

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.